ESBOÇO EBD | 5ª LIÇÃO – O DEUS FILHO | 1° TRIMESTRE DE 2026
Lição 05 – O DEUS FILHO – Lc 1.31-32, 34-35; Mt 17.1-8
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I. INTROITO
“Confessar o Filho como verdadeiro Deus não é excesso de devoção, mas fundamento essencial do Evangelho.”
Eixo dogmático-exegético dessa lição
- Preexistência do Filho → Consubstancialidade divina → Filiação eterna (Unigênito) e supremacia redentiva (Primogênito) → Obras ad extra (obras externas realizadas pela Trindade – Criação, Revelação e Redenção) → Adoração legítima e confissão salvífica.
Tema Nuclear
- O Filho é Deus verdadeiro, consubstancial ao Pai;
- A filiação do Filho é eterna e singular (Unigênito), não criacional;
- A obra do Filho revela o Pai, cria todas as coisas e redime a humanidade.
1.1. Premissas iniciais
- A fé cristã não trata Jesus como mais um profeta, mestre ou criatura exaltada, mas como Deus;
- Negar a deidade do Filho compromete:
- A Revelação de Deus
- Jo 1.18 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer.”;
- A Redenção
- Hb 1.3 “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas”;
- A Adoração Legítima
- Mt 28.9,17 “E, indo elas, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés e o adoraram. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”.
- A Revelação de Deus
II. JESUS É DEUS
2.1. A afirmação João: o Verbo era Deus
- João estabelece três verdades fundamentais
- Jo 1.1 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”;
- 1 – A eternidade do Verbo (“no princípio era”);
- 2 – A personalidade distinta (“estava com Deus”);
- 3 – A natureza divina (“era Deus”);
- Jo 1.1 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”;
- O texto mantém simultaneamente:
- Distinção pessoal;
- Unidade de essência;
- Identificação inequívoca do Verbo com Jesus
- Jo 1.14 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”;
- Não se trata de eventual “mensageiro criado”, mas de Deus assumindo natureza humana;
- Fp 2.5-8 “[…] que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. […] fazendo-se semelhante aos homens; […]”;
- Cristo como Deus manifesto e pleno em essência
- Cl 2.9 “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”;
- Plenitude (não parcialidade) e corporalmente (encarnação real);
- Cl 2.9 “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”;
- Igualdade com o Pai reconhecida até pelos opositores
- Jo 5.18 “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.”;
- O ponto do escândalo judaico foi precisamente a alegação de igualdade divina entre Jesus e Deus;
- Portanto, João enfatiza que o “Verbo” (Logos) existia desde a eternidade, compartilhando a mesma essência e deidade do Pai
- Jo 10.30 “Eu e o Pai somos um.”
2.2. A Preexistência do Filho
- O Filho existe antes de todas as coisas
- Cl 1.17 “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”;
- Preexistência absoluta, não “antes de algumas coisas”, mas antes de todas;
- Cristo como “EU SOU”, linguagem teofânica (manifestação tangível) aplicada ao Filho
- Jo 8.58 “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou.”;
- Este texto não aduz mera anterioridade temporal, é autoidentificação em linguagem de existência absoluta tal como evidenciada em Êx 3.14 do Deus-Pai;
- A glória pré-humana do Filho
- Jo 17.5 “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”;
- O Filho compartilha glória com o Pai antes da criação, sinal pleno de consubstancialidade.
2.3. Filiação de Jesus – O que significa Filho e Filho de Deus
- Filho não significa criatura;
- A Escritura distingue “criatura” de “filho”:
- Mc 16.15 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”;
- Jo 1.12 “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome”;
- Antes da fé, o homem é criatura, pela fé em Cristo, torna-se filho por adoção
- Ef 1.5 “e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”;
- Rm 8.14 “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”
- Cristo é Filho por natureza;
- Jesus Filho de Deus no singular, unicidade e exclusividade.
III. O FILHO UNIGÊNITO – SINGULARIDADE, NATUREZA E MISSÃO
3.1. Singularidade, Natureza e Missão
- O adjetivo grego μονογενής (monogenēs) encontrado 5x nos textos de João, não comunica apenas único no sentido numérico, mas único em natureza, essência e relação
- Jo 1.14; 1.18; 3.16; 3.18; 1Jo 4.9;
- Indica a filiação eterna do Filho, não criada nem adotiva, mas ontológica e consubstancial ao Pai;
- A Escritura não apresenta Jesus como “um filho” entre outros, mas como o Filho:
- Jo 3.16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito […].”
- Jo 1.18 “[…] O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer.”;
- Unicidade ontológica (Ser inimitável), não há outro Filho da mesma ordem;
- A geração do Filho:
- É eterna, necessária e espiritual;
- Não é criacional, nem temporal;
- “Gerado, não criado” (Credo Niceno – 325 d.C.);
3.2. Distinção entre filiação natural e adotiva
- Meu Pai e vosso Pai
- Jo 20.17 “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.”;
- Repare nos pronomes possessivos que indicam relação de posse:
- Meu (minha, meus, minhas) 1º pessoa do singular: Indica posse do emissor. Ex: “Este é o meu livro”;
- Vosso (vossa, vossos, vossas), hoje dizemos “seu” ou “vocês”, 2ª pessoa do plural: Indica posse do receptor. Ex: “Este é o vosso lugar”;
- Jesus não nivela a filiação, Ele é Filho por natureza, nós, por graça;
- Cristo é Unigênito por natureza, mas Primogênito entre muitos por graça
- Rm 8.29 “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”;
- Hb 1.15 “Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?”
- A geração do Filho é entronização, não origem ontológica
- Sl 2.7 “Proclamarei o decreto do Senhor. Ele me disse: “Você é meu filho; eu hoje o gerei.”
- O “hoje” não cria o Filho, mas declara e manifesta quem Ele eternamente é, Sua essência;
- Sl 2.7 “Proclamarei o decreto do Senhor. Ele me disse: “Você é meu filho; eu hoje o gerei.”
- Cristo é o Primogênito e Unigênito no plano redentivo, tendo muitos irmãos por adoção
- 1Jo 4.9 “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.”;
- Todos que crerem em Jesus
- Jo 1.12 “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome”
IV. O FILHO PRIMOGÊNITO – PRIORIDADE E SUPREMACIA
4.1. Primogênito de toda a criação
- O Filho não é a primeira criatura
- Cl 1.15 “o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação“;
- Primogênito aqui é supremacia e herança, não origem criada, pois o próprio contexto nega a leitura “criatura”;
- Repare que a prova imediata no texto, é o Primogênito o Criador
- Cl 1.16 “porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele.”;
- Ora, se tudo foi criado por ele, Ele não pode ser parte do “tudo” como criatura;
- Além disso, o Primogênito dentre os mortos, primícias da ressurreição
- Cl 1.18 “E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência“;
- Cristo inaugura a nova criação, como cabeça e princípio da vida glorificada;
4.2. O Filho como Criador, Mantenedor, Revelador e Redentor
- O Filho Criador do Cosmos
- Jo 1.3 “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.”;
- Desse modo, o Filho é atemporal, não espacial e imaterial:
- O Filho é atemporal
- O Filho não está submetido ao tempo, pois o tempo é uma categoria da criação;
- Sua geração eterna no seio da Trindade não implica começo, sucessão ou duração;
- Ele existe no “eterno agora” divino, sendo anterior e superior a toda cronologia criada;
- O Filho é não espacial
- O Filho não está circunscrito a espaço físico algum, pois o espaço também pertence à ordem criada;
- Sua presença não se limita por localização ou extensão;
- Mesmo na encarnação, a limitação espacial refere-se à natureza humana assumida (matéria), não à Sua essência divina;
- O Filho é imaterial
- Enquanto Deus verdadeiro, o Filho não é composto de matéria, partes ou substância física;
- Sua essência é espiritual, simples e indivisível;
- A assunção de um corpo na encarnação não altera Sua natureza divina, mas acrescenta a natureza humana;
- O Filho é atemporal
- O Filho como Governador de tudo
- Mt 28.18 “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.”;
- O Filho como Mantenedor de todas as coisas
- Rm 11.36 “Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!”;
- O Filho como Revelador do Pai
- Jo 14.9 “Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”;
- O conhecimento do Pai é mediado cristologicamente;
- Jo 14.9 “Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”;
- O Filho é Redentor e Purificador
- Hb 1.3 “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas”;
- Só Deus pode operar purificação definitiva e assentar-se em majestade;
- Hb 1.3 “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas”;
4.3. A Adoração de Cristo e a Confissão Salvífica
- Cristo recebe adoração legítima
- Jesus ainda menino
- Mt 2.11 “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra.”;
- Jesus anda por cima do mar
- Mt 14.33 “Então, aproximaram-se os que estavam no barco e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.”;
- Na ressurreição
- Mt 28.9 “E, indo elas, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés e o adoraram.“;
- Na ascensão
- Lc 24.52 “E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém.”;
- Jesus ainda menino
- Desse modo, adoração a criatura seria idolatria, logo, a adoração a Cristo testemunha Sua deidade;
- Confessar o Filho é condição de vida
- 1Jo 5.12 “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.”;
- Portanto, negar o Filho não é questão secundária, é perda do Evangelho.
V. CONCLUSÃO
- A Escritura ensina, de modo direto e convergente, que Jesus Cristo é Deus:
- Eterno, pré-existente e consubstancial ao Pai;
- Filho não é categoria criacional ou adotiva, mas relacional e ontológica;
- Unigênito exprime singularidade absoluta na filiação;
- Primogênito exprime supremacia e herança, jamais “primeira criatura”;
- O Filho é:
- Criador de todas as coisas;
- Revelador do Pai;
- Redentor do mundo;
- Assim, confessar o Filho é permanecer na fé, negá-lo é abandonar o Deus verdadeiro.
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