ESBOÇO EBD | 4ª LIÇÃO – A PATERNIDADE DIVINA | 1° TRIMESTRE DE 2026
LIÇÃO 04 – A PATERNIDADE DIVINA – 1Jo 4.13-16
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I. INTROITO
“A paternidade divina não é uma metáfora (figura de linguagem), mas uma realidade ontológica (do Ser) revelada em Cristo.”
Eixo dogmático-exegético dessa lição
- Trindade eterna → Paternidade intratrinitária → Revelação no Filho → Adoção dos redimidos → Vida filial no Espírito
Tema Nuclear
- A paternidade divina como relação eterna intratrinitária;
- A revelação histórica do Pai por meio do Filho;
- A paternidade como fundamento da filiação redentiva.
1.1. Premissas iniciais
- Deus não se torna Pai em resposta à criação ou à redenção;
- A paternidade pertence à identidade eterna da Primeira Pessoa da Trindade, consubstanciada nas Três Pessoas da Trindade;
- O nascimento aconteceu em Belém, mas o Filho já existia desde a eternidade
- Is 9.6 “Porque um menino nos nasceu, um Filho se nos deu“;
- Deus se apresenta-se a Moisés como o Deus de seus ancestrais – fonte de autoridade – honra e obediência
- Êx 3.6 “Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. […]”;
- Desse modo, o Pai é conhecido não por abstração, mas por revelação mediada pelo Filho e aplicada pelo Espírito
- Cl 1.15 “o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”;
- Mt 11.27 “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.“.
II. A PATERNIDADE DIVINA NA VIDA INTRATRINITÁRIA
2.1. O Pai como princípio sem princípio (principium sine principio)
- O Pai não procede de ninguém;
- É a fonte pessoal das processões (origens das Pessoas Divinas na Trindade) eternas;
- Gera eternamente o Filho;
- Com o Filho, faz proceder o Espírito;
- Não há anterioridade temporal, mas ordem relacional
- Jo 17.5 “com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”;
2.2. Paternidade eterna e geração do Filho
- A geração do Filho
- É eterna, necessária e espiritual;
- Não é criacional, nem temporal;
- “Gerado, não criado” (Credo Niceno – 325 d.C.);
- A paternidade define relação, não superioridade
- Jo 1.18 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer.”;
- Ap 5.7 “E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.”;
- A geração do Filho – entronização, não origem ontológica
- Sl 2.7 “Proclamarei o decreto do Senhor. Ele me disse: “Você é meu filho; eu hoje o gerei.”
- O “hoje” não cria o Filho, mas declara e manifesta quem Ele eternamente é, Sua essência;
- Refere-se a um marco histórico-salvífico, ou seja:
- O momento da exaltação pública do Filho;
- Sua entronização messiânica;
- O “gerei” como declaração de filiação régia, não de origem essencial;
- O verbo não deve ser lido como:
- Geração biológica;
- Produção ontológica;
- Começo do ser do Filho;
- No Salmo 2, “gerar” significa:
- Investir;
- Entronizar;
- Declarar publicamente a filiação;
2.3. Paternidade não biológica, nem metafórica
- Deus não é Pai por analogia humana;
- A paternidade humana é que reflete, imperfeitamente, a divina;
- Pai não indica sexo, mas relação pessoal originante;
- Deus transcende categorias de gênero (Ef 3.14-15)
- Tg 1.17 “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação.”
III. A REVELAÇÃO PROGRESSIVA DA PATERNIDADE NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
3.1. A paternidade no Antigo Testamento (forma pedagógica)
- Deus como Pai:
- Pela criação
- Ml 2.10 “Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? […]”;
- Deus como Pai de Israel
- Ex 4.22 “Então, dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito.”;
- Dt 32.6 “[…] Não é ele teu Pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?”;
- Pela criação
- Paternidade associada a:
- Autoridade;
- Proteção;
- Honra;
- Disciplina e misericórdia.
- Sl 103.13 “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.”;
- Is 63.16 “Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão nos não conhece, e Israel não nos reconhece. Tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor desde a antiguidade é o teu nome.”;
3.2. Limites da revelação veterotestamentária
- Israel conheceu Deus como Pai coletivo;
- Não havia ainda acesso filial individual pleno;
- A intimidade “Abba” estava reservada à revelação do Filho
- Mc 14.36 “E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.”;
- Rm 8.15 “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.“;
- Gl 4.6 “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.“;
IV. A PLENA REVELAÇÃO DA PATERNIDADE NO FILHO
4.1. O Filho como revelador exclusivo do Pai
- Deus é invisível em Sua essência;
- O Filho é a exegese viva do Pai
- Hb 1.3 “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas”
4.2. Jesus e a linguagem filial inédita
- Cristo ensina a chamar Deus de Pai;
- Introduz a oração filial (Pai nosso);
- Mt 6.9 “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.”;
- Revela intimidade, não apenas soberania.
- Jo 14.6-9 “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.”;
4.3. Adoção como ato gracioso do Pai (soteriologia relacional)
- A filiação cristã:
- Não é universal
- As criaturas não são filhos para a salvação;
- Não decorre da criação
- Para a salvação só são filhos aqueles que são adotados;
- Resulta da redenção em Cristo
- A filiação para a salvação é uma filiação por vontade e não por criação;
- Não é universal
- A adoção é iniciativa soberana do Pai, não direito natural do homem;
- A Escritura afirma que a filiação divina não é automática, nem decorrente da criação
- Jo 1.12 “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome.“;
- O verbo “serem feitos” indica:
- Mudança de estado;
- Concessão graciosa;
- Ato jurídico-relacional promovido por Deus.
- Adoção implica:
- Novo status
- Sl 46.1 “Deus é o nosso refúgio e fortaleza […]”;
- Nova identidade
- 2Co 5.17 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”;
- Nova herança
- Rm 8.17 “E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo […]”;
- Nova natureza
- 2Pe 1.4 “pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, […]”;
- Novo status
- A filiação adotiva nasce no conselho eterno de Deus
- Ef 1.4-5 “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo […] e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.”;
- A adoção:
- Não é reação ao pecado;
- Não é resposta à fé humana;
- É expressão da vontade soberana do Pai;
- Ninguém é filho adotivo fora do Filho eterno e Primogênito
- Gl 4.4-5 “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho […] para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.”
- A redenção é o meio jurídico;
- A adoção é o resultado relacional;
4.4. O Espírito como selo da paternidade (pneumatologia aplicada)
- O Espírito:
- Aplica a obra do Filho;
- Testifica a filiação;
- Produz o clamor “Aba, Pai”;
- 1Jo 4.13 “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito”;
4.5. Distorções Doutrinárias – Universalismo da paternidade
- Universalismo da paternidade
- Confunde criação com adoção;
- Anula a necessidade da fé em Cristo;
- Contraria:
- Jo 1.12 “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome”;
- 1Jo 2.23 “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai.”;
- Conceito de “deus-mãe”
- Origem pagã e sincretista
- Astarote – Antiga deusa cananeia/fenícia;
- Aserá – Antiga deusa-mãe cananeia, venerada como consorte dos deuses supremos El e Baal;
- Afrodite – deusa grega do amor;
- Culto Mariano – veneração especial que honra Maria como Mãe de Deus;
- Uso ilegítimo de metáforas bíblicas descontextualizadas;
- Nega a revelação pessoal do Pai conforme dada pelo Filho;
- Contraria explicitamente Mt 6.9; Ef 1.3; 1Co 8.6
- Origem pagã e sincretista
- Jo 17.1 “Jesus falou essas coisas e, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti”;
- As Escrituras utilizam metáforas maternas (Is 49.15; Is 66.13) para descrever:
- Cuidado;
- Compaixão;
- Ternura;
- Jamais para redefinir a identidade pessoal de Deus;
- Metáfora não equivale a ontologia/natureza.
VI. CONCLUSÃO
- A paternidade divina não é um recurso pedagógico criado pela linguagem humana, mas uma realidade eterna que pertence ao próprio ser de Deus;
- O Pai é Pai antes da criação, antes da redenção e antes do tempo, pois sua paternidade nasce da vida intratrinitária;
- Essa paternidade eterna se torna historicamente conhecida somente por meio do Filho:
- Quem vê o Filho vê o Pai;
- Quem nega o Filho não tem o Pai;
- Pela encarnação, morte e ressurreição do Filho, o Pai não apenas se revela, mas nos introduz em Sua própria relação filial, por meio da adoção;
- O Espírito Santo sela essa realidade, tornando a filiação:
- Consciente;
- Vivida;
- Experienciada no clamor “Aba, Pai”;
- A vida cristã é essencialmente vida filial, vivida em comunhão, obediência e confiança;
- Confessar o Pai bíblico é rejeitar distorções doutrinárias e adorar a Deus como Ele verdadeiramente Se revelou:
- Pai, Filho e Espírito Santo.
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