ESBOÇO EBD | 3ª LIÇÃO – O PAI ENVIOU O FILHO | 1° TRIMESTRE DE 2026
Lição 03 – O PAI ENVIOU O FILHO – Jo 3.16,17; 1 Jo 4.9,10; Gl 4.4-6
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I. INTROITO
“A missão do Filho não nasce na necessidade humana, mas na vontade eterna do Pai.”
Esboço dogmático e exegético
- Eternidade → Missão → Encarnação → Ressurreição → Adoção → Vida cristã
Tema Nuclear
- A missão do Filho como expressão histórica da vontade eterna do Pai;
- A iniciativa soberana de Deus na redenção;
- A unidade trinitária revelada na economia da salvação.
1.1. A missão como decisão eterna, não contingencial
- A encarnação não foi um plano emergencial
- Jo 17.24 “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me hás amado antes da criação do mundo.“;
- O envio do Filho decorre de um decreto eterno
- Ef 1.4-5 “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”;
- 1Pe 1.20 “o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo […]”;
- Portanto, a história executa o que a eternidade determinou.
1.2. O amor como causa, não como reação
- O amor divino precede o pecado humano:
- 1Jo 4.10 “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.”;
- Deus não ama porque envia o Filho, Deus envia o Filho porque ama
- 1Jo 4.19 “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.”;
- Portanto, Deus não nos ama porque O amamos, Nós O amamos porque fomos previamente amados por Ele.
II. A ORIGEM DA MISSÃO – O PAI COMO FONTE DO PLANO REDENTIVO
2.1. O Pai como princípio sem princípio
- O Pai é a fonte das operações ad extra da Trindade;
- Não por superioridade ontológica, mas por ordem relacional;
- O Pai:
- Planeja;
- Envia;
- Entrega;
2.2. O envio como ato trinitário
- Embora o Pai envie, o envio é consentido pelo Filho
- Jo 10.17-18 “Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai.“;
- A missão não divide a Trindade;
- O envio como expressão da unidade de essência
- Jo 10.30 “Eu e o Pai somos um”;
- Unidade de essência, distinção de funções
- o Pai envia;
- o Filho é enviado e executa a obra redentora;
- o Espírito aplica essa obra.
III. A NATUREZA DA MISSÃO – O FILHO ENVIADO
3.1. Enviado como categoria teológica
- O termo grego ἀπόστολος (apóstolos) significa “enviado com autoridade”
- ἀπό (apó) = “para fora”, “desde”;
- στέλλω (stéllō) = “enviar”, “despachar com missão”;
- Cristo é o Apóstolo do Pai
- Hb 3.1 “[…] o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão”;
- Ele não age por iniciativa própria
- Jo 6.38 “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.”
3.2. A encarnação como meio necessário, realizada pela kénosis
- Iniciativa divina no tempo certo
- Gl 4.-5 “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”;
- Envio trinitário do Filho – O Pai envia, o Filho consente e assume a missão
- Jo 5.30 “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou.”;
- Verdadeira humanidade assumida – “Nascido de mulher” → humanidade real, histórica e completa
- Jo 1.14 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”;
- Submissão voluntária à Lei – “Nascido sob a lei” → obediência perfeita e representativa
- Mt 5.17 “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.”;
- Kénosis como modo da encarnação – “Esvaziou-se a si mesmo” → auto humilhação voluntária
- Fp 2.6-7 “[…] Mas aniquilou-se a si mesmo […]”;
- Esvaziamento por assunção, não por perda – “Tomando a forma de servo” → humanidade acrescentada, divindade não diminuída
- Hb 2.14 “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas […]”;
- Dupla identificação redentora
- Com os homens → representação verdadeira
- Hb 2.17 “Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.”;
- Com a vontade do Pai → obediência perfeita
- Jo 8.29 “E aquele que me enviou está comigo; o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada”;
- Com os homens → representação verdadeira
- Unidade trinitária preservada – A missão não divide a Trindade → unidade de essência, distinção de funções
- Jo 17.5 “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”
3.3. Revelação plena do Pai no Filho
- Deus se revela de forma definitiva em Cristo;
- Deus não se revela de modo fragmentário ou progressivo em Cristo, mas de forma plena e final
- Hb 1.1-2 “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.”;
- O Filho como o revelador do Pai – O Pai é invisível e inacessível à percepção humana direta
- Jo 1.18 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer.”;
- 1Tm 6.16 “aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém!”
- Ver o Filho é ver o Pai – A revelação do Pai não ocorre à parte do Filho
- Jo 14.9 “Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”;
- Portanto, o Filho não apenas fala sobre Deus, Ele mostra Deus;
IV. TU ÉS MEU FILHO, HOJE TE GEREI
- Declaração que aparece explicitamente ou por citação nos seguintes textos
- Salmos 2.7;
- Atos dos Apóstolos 13.33;
- Hebreus 1.5;
- Hebreus 5.5;
- A geração do Filho – entronização, não origem ontológica, vejamos:
4.1. O contexto apostólico de Atos 13.33
- Paulo proclama o Evangelho em Antioquia da Pisídia, interpretando cristologicamente o Antigo Testamento;
- Ao citar o Salmo 2.7 “Tu és meu Filho, hoje te gerei”, o apóstolo não o faz em chave metafísica abstrata, mas histórico-redentiva;
- Paulo aplica essa declaração à ressurreição de Jesus, não ao início de Sua existência;
- O “hoje” não cria o Filho, mas declara e manifesta quem Ele eternamente é;
- Refere-se a um marco histórico-salvífico, isto é:
- O momento da exaltação pública do Filho;
- Sua entronização messiânica;
4.2. “Gerei” como declaração de filiação régia, não de origem essencial
- O verbo não deve ser lido como:
- Geração biológica;
- Produção ontológica;
- Começo do ser do Filho;
- No Salmo 2, “gerar” significa:
- Investir;
- Entronizar;
- Declarar publicamente a filiação;
- Em Atos 13.33, a “geração” refere-se à:
- Confirmação do Filho como Messias;
- Vitória sobre a morte;
- Inauguração de Seu reinado mediador;
- Assim, a ressurreição não faz Jesus Filho, ela revela, autentica e proclama Sua filiação eterna
- Rm 1.4 “declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, — Jesus Cristo, nosso Senhor”;
- Portanto, a ressurreição é o grande ato revelatório da filiação eterna do Filho no tempo.
V. O RESULTADO DA MISSÃO – FILHOS ADOTIVOS
5.1. Redenção e adoção
- A encarnação e a obediência redentora têm um propósito definido: libertar e integrar
- Redenção como libertação jurídica – resgate de uma condição de condenação
- Rm 3.24 “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”;
- Gl 4.5 “para remir os que estavam debaixo da lei,”
- Adoção como consequência da redenção – novo status relacional diante de Deus
- Ef 1.5 “e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”;
- A salvação não se limita ao perdão – Não é apenas cancelamento de culpa, mas mudança de posição
- Rm 5.1 “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”;
- Filiação, não mera absolvição – O salvo não é apenas perdoado como réu, mas acolhido como filho
- Jo 1.12 “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome”;
- Pertencimento à família de Deus – A adoção insere o redimido numa nova relação de comunhão e herança
- Rm 8.15-17 “Porque não recebestes o espírito de escravidão […] mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. […] somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo […]”
5.2. O Espírito como selo da missão
- Assim como o Pai enviou o Filho, envia também o Espírito
- Gl 4.6-7 “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.”;
- O Espírito como dom decorrente da filiação – O Espírito não gera a adoção, mas a confirma e a manifesta
- Rm 8.9 “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.”;
- Aplicação da obra do Filho – O que Cristo realizou objetivamente, o Espírito aplica subjetivamente
- Jo 16.14 “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.”;
- O Espírito confirma ao crente sua nova identidade filial
- Rm 8.16 “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”;
- Filiação vivida, não apenas declarada – O clamor é fruto da atuação do Espírito no coração do redimido
- Ef 2.18 “porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.”.
5.3. Reverberações para a vida Cristã
- Obediência por amor – O padrão do Filho se torna o padrão do discípulo
- Jo 14.15 “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”;
- Missão continuada da Igreja
- Jo 20.21 “[…] Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.”;
- A Igreja não inventa a missão, participa dela;
- Santidade como consequência;
- O Deus que envia é santo;
- A missão visa formar filhos à imagem do Filho
- Rm 8.29 “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”.
VI. CONCLUSÃO
- A missão do Filho não é um episódio isolado da história, mas a manifestação temporal de uma decisão eterna do Pai;
- O envio do Filho revela:
- O amor fontal do Pai;
- A unidade indivisível da Trindade;
- E o propósito redentivo de Deus antes da fundação do mundo;
- A encarnação não diminui o Filho, mas torna visível a glória divina em forma humana;
- A kénosis não é perda de divindade, mas assunção (ato de assumir) voluntária da condição de servo, para cumprir perfeitamente a vontade do Pai;
- A ressurreição não gera o Filho, mas proclama publicamente Sua filiação eterna, entronizando-O como Messias e Senhor;
- O resultado final da missão não é apenas perdão de pecados, mas adoção filial, comunhão e herança;
- Pela obra do Filho e pela aplicação do Espírito, o crente não apenas crê em Deus, mas vive como filho diante do Pai;
- Assim, a fé cristã se sustenta nesta verdade central:
- O Pai enviou o Filho;
- O Filho obedeceu até a morte;
- O Espírito confirma a filiação;
- Negar a missão do Filho é negar o amor do Pai;
- Receber o Filho é entrar, pela graça, na comunhão do Deus trino e pai.
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