ESBOÇO EBD | 2ª LIÇÃO – O DEUS PAI | 1° TRIMESTRE DE 2026
LIÇÃO 02 – O DEUS PAI – Mt 11.25-27; Jo 14.6-11
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I. INTROITO
“Falar do Pai não é falar de um Deus separado, mas da Pessoa divina que eternamente gera o Filho e, com Ele, envia o Espírito, permanecendo inseparável na essência e distinto nas relações”
Tema Nuclear
- O Pai como fonte fontal (originário) da vida trinitária, sem anterioridade temporal;
- A paternidade divina como relação eterna, não como função criada;
- O Pai como princípio do plano redentivo, sem isolamento ontológico.
1.1. Origem histórica do termo Trindade
- A palavra “Trindade” (do latim Trinitas) foi formulada no final do século II;
- Atribuída ao teólogo cristão Tertuliano (na obra Adversus Praxean), por volta do ano 200 d.C.;
- Tertuliano emprega a expressão para explicar, em linguagem técnica, a fé cristã já professada pelas igrejas:
- “una substantia, tres personae”; (uma substância, três pessoas)
- Tertuliano não criou a doutrina, mas criou o vocabulário técnico para defendê-la contra heresias de seu tempo, especialmente o modalismo;
II. A PATERNIDADE DIVINA COMO REALIDADE ONTOLÓGICA (NÃO METAFÓRICA)
2.1. O Pai como categoria relacional, não biológica
- Na Escritura, “Pai” não aduz:
- Anterioridade cronológica
- Jo 17.5 “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”;
- Superioridade ontológica
- Fp 2.6 “O qual, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.”;
- Nem causalidade criacional do Filho
- Jo 1.3 “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.”;
- Anterioridade cronológica
- Pai é um termo relacional, que pressupõe:
- Comunhão
- Jo 1.18 “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer.”;
- A expressão “no seio do Pai” apresenta:
- intimidade eterna;
- relação pessoal contínua;
- comunhão ontológica, não funcional;
- Distinção
- Jo 5.26 “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.“;
- Reciprocidade eterna
- Jo 17.24 “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me hás amado antes da fundação do mundo.“;
- Comunhão
- A paternidade não surge no tempo, mas pertence ao ser eterno de Deus;
2.2. O Pai e a rejeição de um monoteísmo solitário
- A revelação do Pai destrói qualquer concepção de Deus como:
- Solidão absoluta
- Jo 1.1 “[…] e o Verbo estava com Deus […];
- O “estar com Deus” (pros ton Theon) aduz:
- relação pessoal;
- coexistência eterna;
- comunhão anterior a toda criação;
- Substância fechada em si mesma
- 1Jo 4.8 “Deus é amor.”;
- Deus é amor, não apenas ama;
- E o amor exige relação real;
- Solidão absoluta
- Deus é eternamente relacional
- Jo 17.24 “Pai […] porque tu me hás amado antes da fundação do mundo.”;
- O amor entre Pai e Filho:
- não é reação histórica;
- não nasce na economia da salvação;
- pertence à eternidade divina;
- Antes da criação, já havia comunhão
- Pai → Filho → Espírito;
- A criação não nasce da carência, mas da plenitude;
III. O PAI NA REVELAÇÃO VETEROTESTAMENTÁRIA (FORMA GERMINAL)
3.1. A Paternidade no Antigo Testamento
- O AT revela Deus como Pai:
- De Israel (Último cântico de Moisés)
- Dt 32.6 “Recompensais, assim, ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é ele teu Pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?”;
- Do rei messiânico (Davi deseja edificar um templo)
- 2Sm 7.14 “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens.”;
- Do povo redimido (Ações de graças, confissões e súplicas)
- Is 63.16 “Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão nos não conhece, e Israel não nos reconhece. Tu, ó Senhor, és nosso Pai; nosso Redentor desde a antiguidade é o teu nome.”;
- De Israel (Último cântico de Moisés)
- Essa paternidade é:
- eletiva;
- formadora;
- protetiva;
- Não é ainda plenamente revelada, mas é tipológica e preparatória;
3.2. O Pai como origem do relacionamento e da aliança
- O Pai:
- adquire;
- forma;
- sustenta;
- A paternidade se manifesta como iniciativa graciosa;
- O AT prepara o terreno para:
- uma revelação mais profunda;
- uma filiação que ultrapassa o pacto nacional;
3.3. Pai de Israel e Pai do Messias
- Textos como Sl 89 (traz-se à memória o pacto) e Is 9.6 (advento do Messias) antecipam:
- uma paternidade que transcende Israel;
- um Filho que é eterno;
- O AT aponta, mas não resolve:
- a relação intratrinitária;
- apenas a insinua;
IV. O PAI, A ORDEM TRINITÁRIA E A DISTINÇÃO DE SERVIÇO
4.1. Igualdade de essência e distinção de Pessoas
- As três Pessoas da Trindade são absolutamente iguais em essência, glória, poder e eternidade;
- Não há, na Trindade, qualquer forma de:
- hierarquia ontológica;
- superioridade substancial;
- gradação de divindade;
- Pai, Filho e Espírito Santo compartilham:
- a mesma essência divina (ousía);
- a mesma plenitude de ser;
- Todavia, a revelação bíblica apresenta uma ordem relacional e funcional, não de natureza, mas de serviço e missão;
- A subordinação observada nas Escrituras é:
- voluntária;
- econômica;
- temporária no plano da salvação;
- Não há subordinação essencial ou eterna no ser divino;
4.2. O Pai como princípio fontal (originário) da missão trinitária
- O Pai é apresentado nas Escrituras como:
- fonte da iniciativa redentora;
- origem da missão do Filho;
- princípio do envio do Espírito;
- Essa precedência é relacional, não ontológica;
- O Pai:
- planeja a criação;
- proclama a palavra criadora;
- determina o plano eterno da redenção;
- O Filho executa a vontade do Pai, e o Espírito aplica essa obra à criação e à Igreja;
- Trata-se de uma distinção de operação, não de essência:
- o Pai opera por meio do Filho;
- no poder e na presença do Espírito;
4.3. A Subordinação do Filho na economia da encarnação
- A submissão do Filho ao Pai ocorre no contexto da encarnação, não na eternidade intratrinitária;
- Quando Jesus afirma:
- Jo 14.28 “[…] vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.”, Ele o faz enquanto:
- Verbo encarnado;
- Servo sofredor;
- Messias em missão;
- Jo 14.28 “[…] vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.”, Ele o faz enquanto:
- Essa afirmação não expressa:
- Inferioridade ontológica
- Cl 2.9 “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”;
- Diminuição da divindade
- Jo 1.1 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”;
- Desigualdade de essência
- Jo 10.30 “Eu e o Pai somos um.”;
- Inferioridade ontológica
- Expressa, antes, subordinação funcional voluntária, conforme:
- Submissão da vontade
- Jo 5.30 “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou.”;
- Missão Recebida
- Jo 6.38 “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.”;
- Obediência messiânica
- Hb 10.9 “Então, disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo.”;
- Submissão da vontade
- A encarnação implica assunção da condição de servo, não renúncia da divindade;
4.4. A missão do Espírito Santo na ordem trinitária
- Após a exaltação do Filho, o Espírito Santo é enviado:
- Pelo Pai
- Jo 14.26 “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.”;
- Pelo Filho
- Jo 15.26 “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.”;
- Jo 16.7 “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei;
- Pelo Pai
- O Espírito Santo:
- Não é inferior
- At 5.3-4 “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo? […] Não mentiste aos homens, mas a Deus.”;
- Não é força impessoal
- O Espírito entristece-se, intercede, ajuda, ou seja, ações pessoais, incompatíveis com a ideia de força impessoal;
- Ef 4.30 “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.”;
- Não é mero instrumento
- 1Co 12.11 “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.”;
- Não é inferior
- Sua subordinação funcional manifesta-se:
- Na aplicação da obra de Cristo
- Jo 16.14 “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.”;
- No ensino
- Jo 14.26 “[…] esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.”;
- Na consolação
- Jo 14.16 “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.”;
- Na santificação
- 1Pe 1.2 “Eleitos […] em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo.”;
- Na aplicação da obra de Cristo
- Assim como o Filho se submete ao Pai na missão redentora, o Espírito se submete à missão do Filho e à vontade do Pai, sem comprometimento de Sua deidade
- O Filho se submete funcionalmente ao Pai na missão redentora (Fp 2.6-8);
- O Espírito se submete funcionalmente à missão do Filho e à vontade do Pai;
- Sem qualquer diminuição de essência, pois o Espírito:
- Conhece as profundezas de Deus (1Co 2.10);
- Age soberanamente;
- É plenamente Deus;
VI. CONCLUSÃO
- O Pai é reconhecido como princípio fontal relacional, não por anterioridade temporal ou superioridade ontológica, mas como fonte eterna da geração do Filho e do envio do Espírito;
- A distinção trinitária expressa comunhão eterna e perfeita;
- Toda subordinação apresentada nas Escrituras é funcional, econômica e voluntária, jamais essencial ou ontológica;
- O Deus Pai:
- não é monádico;
- não é solitário;
- não é relacional apenas após a criação;
- A revelação do Pai, do Filho e do Espírito Santo conduz à confissão de:
- uma única essência divina (ousía);
- três Pessoas realmente distintas (hypóstaseis);
- uma comunhão eterna de amor e vida.
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